1 de nov. de 2025

Bipolar Q&A

Como é ser bipolar?

DJ toca Chungha - Roller Coster...

Chungha Roller Coaster

Uma montanha russa.

Como você lida com o transtorno?

Não lido. Próxima pergunta.

É algo que eu eu demorei a me acostumar, mas conseguir foi preciso uma rotina, atenção as mudanças de humor (eu uso um aplicativo para isso), e na crise reconhecer o episódio e tentar suportar até passar.

Você já tentou se suicidar?

Estranhamente as pessoas gostam de perguntar esse tipo de coisa quando descobre que alguém tem problema mental. Eu não me incomodo, mas eu não acho que você deva perguntar algo assim a alguém que você não tem certo grau de intimidade. É inconveniente. Mas sim, eu já tentei. Na verdade é bem estranha falar sobre isso porque obviamente para poder falar sobre isso você precisa ter fracassado na tentativa XD

Como você descobriu que o diagnóstico de depressão unipolar estava errado?

Na verdade era para eu ter descoberto antes porque meu psiquiatra percebeu ja faz um certo tempo. O problema é que ele contou aos meus pais e não para mim, isso é uma longa história sobre o porquê eu mudei de psiquiatra, mas enfim. Eu descobri que sou bipolar depois que o youtube me recomendou um video, e desse video eu cliquei em outro e em outro e, sabe quando você chega em algo sem nem perceber como chegou lá? Eu me deparei com o vídeo da Dra. Tracey Marks chamado "Transtorno Bipolar X Depressão - 5 sinais de que você provavelmente é bipolar". Eu não pensava que eu pudesse ser bipolar, mas o título me chamou a atenção porque com a idéia que eu tinha sobre o bipolar, eu não pensava que o transtorno bipolar podia ser confundido com depressão, então eu fiquei curiosa. Para a minha surpresa eu me identifiquei com quase todos sinais, então eu pesquisei mais sobre o transtorno e comecei a lembrar de situações que eu sabia que eram estranhas, mas que eu atribuía a prováveis efeitos colaterais do anti depressivo ou algo assim. Eu falei com meus médicos sobre isso e qual foi minha surpresa: Eu era a única que não sabia que existia essa chance. Então é, eu fui meio que a última a descobrir.

Quantos e quais remédios você toma?

Isso é tão pessoal. Eu tomo 3 remédios diferentes, um estabilizador de humor, um antipsicótico e um antidepressivo. Eu não vou dizer quais, porque auto medicação é perigoso, procure um médico!

Qual a melhor e a pior parte da doença?

Existem algumas teorias de que o transtorno aumenta a criatividade e outros fatores cognitivos na fase elevada, mas são atualmente desacreditadas pelos profisssionais da saúde, então eu não acho que exista uma melhor parte na doença. Quanto a pior, vai depender de pior para quem? Os médicos falam que a mania é pior, por nos colocarmos em mais situações de risco, além das chances de degeneração neural, mas sinceramente do nosso ponto de vista a mania é muito melhor do que a depressão, mesmo quando a gente fica irritado e agressivo... Quero dizer, eu pessoalmente, prefiro sair comprando compulsivamente do que sair procurando formas de me matar porque eu me odeio.

Por que você resolveu fazer posts sobre o transtorno?

Como não é uma coisa que eu gosto de fazer, eu pensei bem sobre isso antes de começar e tem duas razões principais para eu ter me convencidp de que seria algo positivo:

Conscientização - As pessoas tem essa ideia errada do transtorno bipolar, essa confusão não é um problema só porque atinge a nossa identidade, mas porque quando a gente diz que é bipolar e a pessoa não vê o que ela esperava do bipolar em nós, ela desacredita: "Que nada, o médico errou o diagnóstico, você está exagerando", tem gente até que acha que nós estamos brincando usando o termo bipolar da boca pra fora como tem gente que gosta de usar. No geral as pessoas também tem essa idéia de que quando se fala em deficiência invisível as pessoas com doenças mentais querem privilégios, porque deficientes tem vaga de estacionamento e fila preferencial, tem gente que assume que nós também queremos essas coisas. E não é verdade, essas coisas não nos ajudam. Mas nós precisamos de um pouco mais de compreensão e paciência, e tem gente que acha que até isso é pedir demais.

Monitoramento - o segundo ponto é basicamente porque quando gente se vê do nosso ponto de vista, a gente percebe coisas diferentes de quando a gente vê do ponto de vista de uma terceira pessoa. Quando você tem um problema crônico, seja ele mental ou físico, é interessante registrar o progresso de alguma forma porque você percebe coisas que de outra forma não perceberia. Isso também ajuda seu médico porque da para mostrar você fazendo aquilo em vez de apenas dizer que você fez aquilo.

O que o transtorno mudou na sua vida?

Como eu não sei exatamente quando o transtorno começou a se manifestar, eu não acho que o transtorno mudou algo na minha vida, mas o diagnóstico em si foi muito essencial porque o tratamento melhorou muito minha qualidade de vida.

Qual o seu tipo de bipolar?

Apesar de meus médicos terem certeza que eu estou no espectro bipolar, eles não conseguem me precisar exatamente em qual categoria. Mas provavelmente, tipo 2.

O que você faz da vida quando você some?

Quando a gente tem um episódio mais grave, as vezes a gente deixa tudo que a gente normalmente fazia de lado. E quando esse episódio passa a gente volta como se nada tivesse acontecido, e por isso as pessoas ficam curiosas.

Depende. No meu caso, se for um episódio de depressão, eu provavelmente não vou estar fazendo nada. Tem gente que acha que depressão é tipo estar bem triste, mas nem sempre é, as vezes a gente não sente nada. Não da vontade de sair da cama, não da vontade de comer, não da vontade de cuidar da higiene. Tem gente que diz você não está vivendo, está sobrevivendo. Eu acho que no episódio grave de depressão você não está nem sobrevivendo, você está existindo. As vezes eu me sinto como o homem de lata do Mágico Oz que anseia desesperadamente por um coração. Mas então eu volto a sentir e o mundo é uma merda para quem tem sentimentos, então eu sinto falta.

Quando eu sumo num episódio de mania, é o oposto, eu estou fazendo muita coisa. As pessoas acham que mania é bom porque você fica produtivo, e sim, a sensação é boa. Só que porque você perde o senso crítico, as prioridades da sociedade deixam de ser suas prioridades. Então quando eu estou em mania eu não to afim de passar na faculdade para ser alguém na vida, eu to afim de fazer roupinhas de boneca, ou bordar aquele quadro super trabalhosos... E na mania nós ficamos meio obcecados por aquilo que a gente quer, então a gente vai fazer o possível é o impossível para conseguir. Por exemplo, digamos que eu queira uma piscina na minha casa, dai eu entro num episódio de mania, eu vou gastar o dinheiro que eu não tenho para pagar o serviço, ou até mesmo resolver cavar o buraco e construir a piscina eu mesma porque eu quero tanto assim. As vezes a gente tem noção de que não pode ter aquilo em condições normais, mas a gente quer tanto que a gente joga todo precaução pro ar e diz "que se danem as consequências, isso é o que eu quero agora, e isso é o que eu vou ter agora", porque lutar contra esses impulsos é muito desconfortável, é tipo ter uma coceira e precisar resistir a coçar.

Então é, em mania eu provavelmente estou fazendo um monte de coisas que você considera inútil.

Você tem mania de perseguição?

Paranoia pode ser um sintoma da doença, mas não, eu não acho que eu tenho mania de perseguição. Eu frequentemente me culpo por como as pessoas me tratam, e sabe, a gente definitivamente fica mais sensível as coisas e acaba deixando coisas que não afetam os outros nos afetar.

Qual o custo do tratamento?

As pessoas conseguem imaginar quão caro é o tratamento de alguns problemas físicos, o câncer por exemplo. Mas um problema mental crônico também pode custar muito caro já que exige tratamento para a vida toda, e apesar da lei garantir o auxílio doença para essas pessoas, na prática é ainda mais difícil conseguir esse auxílio do que é para uma pessoa com um problema físico.

Você vai precisar de terapia. Consultas com o psicólogo uma ou duas vezes por semana. Tem o psiquiatra, você não vai nele só até descobrir o diagnóstico (o que pode demorar bastante tempo já que é por exclusão), os remédios também precisam ser testados e trocados e retrocados até você encontrar o que dê certo e então você precisa continuar indo para manutenção. Tem também os remédios, claro. Alguns são disponibilizados nos postos, mas os mais modernos e caros não são. Eu tomo um remédio que custa quase 500 reais a caixa com 60 comprimidos.

Isso é o básico necessário, mas o tratamento de TB pode incluir várias terapias alternativas como academia ou esportes, acupuntura, terapia eletroconvulsiva, suplemento alimentares e vitaminas como o magnésio, lecitina, ginseng etc.

Mas pior do que gastar com o tratamento é o gasto que o bipolar pode ter em mania. Em mania é muito difícil controlar os impulsos, então é muito comum que o bipolar crie dívidas enormes durante um episódio.

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